Em nota divulgada à imprensa, na quarta-feira (04/11/2026) o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, comentou a respeito da decisão do Copom de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Segue o teor da comunicação em sua íntegra:
''A decisão do Comitê já era aguardada. No cenário externo, a intensificação dos conflitos entre Irã e Estados Unidos e entre Rússia e Ucrânia ampliou as pressões sobre os preços internacionais de energia, especialmente do petróleo e de seus derivados, como o diesel. Esse ambiente eleva os riscos inflacionários e pode levar os principais bancos centrais, especialmente dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, a adotar uma política monetária mais restritiva nos próximos meses. No cenário doméstico, embora a atividade econômica venha apresentando sinais mais consistentes de desaceleração e a inflação de outubro, medida pelo IPCA-15, tenha surpreendido positivamente, a recente deterioração do câmbio acendeu um sinal de alerta. A taxa de câmbio constitui um importante canal de transmissão de pressões inflacionárias, especialmente por seus efeitos sobre os preços de produtos importados, de insumos e das expectativas de inflação. A expressiva e, até então, persistente desvalorização do real reflete, entre outros fatores, a deterioração da confiança dos agentes econômicos em relação às perspectivas da economia brasileira, com destaque para as incertezas quanto à trajetória das contas públicas. A ausência de sinalizações concretas sobre medidas capazes de conter o avanço dos gastos públicos, somada à indefinição de um nome com credibilidade para comandar o Ministério da Fazenda no novo governo, contribui para ampliar a percepção de risco e a apreensão dos mercados. A interrupção do processo de flexibilização monetária evidencia como a ausência de confiança na condução da política fiscal pode limitar o espaço para a redução dos juros, mesmo diante de uma economia em desaceleração.''