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Saúde

Menopausa acelera perda óssea e aumenta risco de osteoporose

Diagnóstico precoce e hábitos saudáveis ajudam a prevenir complicações

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Na menopausa, a queda do estrogênio pode acelerar a perda de massa óssea, aumentando o risco de oste
Dra. Árien Oldoni
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação e Arquivo Pessoal/Árien Oldoni

A redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa altera o processo de renovação dos ossos e pode acelerar a perda de massa óssea. Nos primeiros anos após a última menstruação, esse processo tende a ser mais intenso, aumentando o risco de osteoporose e de fraturas. Por isso, a avaliação dos fatores de risco e os cuidados preventivos são importantes nessa fase da vida.

Segundo a médica reumatologista Dra. Árien Oldoni (CRM 39921/RQE 34846), o estrogênio participa do controle da remodelação óssea, processo em que células retiram o tecido ósseo antigo e outras formam tecido novo. Com a queda hormonal, a reabsorção passa a ocorrer em ritmo superior à formação, reduzindo a resistência dos ossos.

“Nos primeiros anos após a menopausa, essa perda pode ser mais significativa, comprometendo progressivamente a resistência dos ossos”, explica a médica.

A perda de massa óssea, no entanto, não começa necessariamente depois da última menstruação. Ela pode ocorrer ainda durante a transição para a menopausa, período marcado por oscilações hormonais e pelo declínio gradual do estrogênio. A quantidade de massa óssea acumulada ao longo da juventude, as condições clínicas e os hábitos de vida também influenciam o risco futuro.

Além da idade e do histórico familiar de osteoporose ou fraturas, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Entre eles estão baixo peso corporal, perda excessiva de peso, menopausa precoce, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e ingestão insuficiente de cálcio. Doenças que prejudicam a absorção de nutrientes e o uso prolongado de determinados medicamentos, como glicocorticoides e anticonvulsivantes, também podem comprometer a saúde óssea.

Diagnóstico exige atenção

A osteoporose é considerada uma doença silenciosa porque pode evoluir sem sintomas. A mulher pode perder quantidade significativa de massa óssea sem sentir dor ou perceber mudanças no corpo. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre somente após uma fratura provocada por uma queda simples ou um trauma de baixa intensidade.

A densitometria óssea é o principal exame utilizado para medir a densidade mineral dos ossos, especialmente na coluna lombar e no quadril. O exame permite identificar alterações antes da ocorrência de fraturas e auxilia na avaliação do risco.

“O rastreamento atualmente é indicado para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 anos”, explica Árien. Para mulheres com menos de 65 anos, a recomendação depende da presença de fatores de risco que indiquem maior possibilidade de fratura.

A investigação também pode ser necessária em mulheres com menopausa precoce, histórico de fraturas por fragilidade, doenças associadas à perda óssea ou uso prolongado de medicamentos que afetam os ossos. A frequência de repetição da densitometria varia conforme o resultado inicial, a idade, os fatores de risco e os tratamentos utilizados.

Alimentação e exercícios fazem parte da prevenção

A manutenção da saúde óssea depende de cuidados que devem começar antes da menopausa. Uma alimentação equilibrada, com quantidade adequada de cálcio, contribui para a manutenção dos ossos. Leite e derivados estão entre as fontes do mineral. A vitamina D também tem papel importante, pois auxilia na absorção intestinal do cálcio.

A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente, considerando a alimentação e as condições de saúde de cada mulher.

A prática regular de atividade física também integra as medidas preventivas. Caminhadas e exercícios de força, como musculação, ajudam a preservar a massa óssea e a musculatura. Atividades que trabalham equilíbrio e coordenação contribuem para reduzir o risco de quedas, especialmente com o avanço da idade.

“Uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios devem fazer parte da rotina, idealmente antes mesmo da menopausa, pois o pico de massa óssea geralmente é adquirido na vida adulta jovem”, afirma a reumatologista. Evitar o cigarro, limitar o consumo de álcool e manter o peso adequado também são medidas recomendadas.

Terapia hormonal e tratamento

A terapia hormonal da menopausa pode reduzir a perda de massa óssea e o risco de fraturas. Entretanto, sua indicação precisa considerar os sintomas, os benefícios esperados, as contraindicações e as condições clínicas da mulher. O tratamento não é recomendado automaticamente para todas as pacientes com o objetivo exclusivo de prevenir a osteoporose.

“Outra questão importante é que a terapia hormonal não substitui necessariamente os medicamentos específicos para osteoporose. Quando a mulher já apresenta osteoporose estabelecida ou risco elevado de fratura, pode ser necessário utilizar tratamentos específicos para reduzir o risco de fraturas”, explica Árien.

Quando não diagnosticada ou tratada adequadamente, a osteoporose pode provocar fraturas de vértebras e quadril, entre outras. Essas lesões podem causar dor crônica, perda de mobilidade, redução da independência e comprometimento da qualidade de vida. Em pessoas idosas, as fraturas também estão associadas ao aumento da mortalidade.

As fraturas vertebrais nem sempre são percebidas. Em alguns casos, os sinais são dor nas costas, diminuição gradual da estatura e aumento da curvatura da coluna. Além disso, uma primeira fratura eleva o risco de novos episódios.

A prevenção também inclui medidas para evitar acidentes dentro de casa, como melhorar a iluminação dos ambientes, retirar tapetes soltos, utilizar calçados adequados e corrigir problemas de visão e equilíbrio. Medicamentos que provocam tontura ou sonolência devem ser avaliados pelo profissional responsável.

Para a reumatologista, identificar os fatores de risco e iniciar os cuidados no momento adequado são medidas importantes para evitar complicações. “Identificar os riscos e agir precocemente permite reduzir a probabilidade de fraturas e preservar a autonomia da mulher ao longo da vida”, conclui.

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