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Receitas próprias de Erechim, representam 45,26% da arrecadação do município

Relatório de Gestão Fiscal do segundo quadrimestre, apresentado na sexta-feira, 25, aponta crescimento das receitas próprias e das transferências, enquanto pessoal, Educação e Saúde concentram os maiores volumes de despesas

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Autoridades presentes na apresentação: Flávio Pitt (secretário adjunto de Planejamento e Mobilidade
Como é composto a arrecadação do município, e quando representa cada imposto, nos recursos próprios
Gráfico demonstra onde são distribuídas as despesas do município
Por Rodrigo Finardi
Foto Karine Heller – Comunicação PME e Reprodução/PME

Erechim chegou ao fim de agosto com R$ 106,6 milhões em caixa, arrecadação de R$ 427,98 milhões e resultado primário positivo de R$ 33 milhões. Os números constam do Relatório de Gestão Fiscal do segundo quadrimestre, apresentado em audiência pública nesta sexta-feira, 25, na Câmara de Vereadores. A prestação de contas mostra aumento da receita em relação ao mesmo período de 2025, crescimento das despesas e uma estrutura financeira que exige uma leitura mais detalhada do saldo bruto disponível.

O saldo

O total de caixa do Poder Executivo em 31 de agosto era de R$ 106.632.092,94. Desse valor, R$ 36.048.622,22 eram recursos livres, R$ 60.121.821,86 estavam vinculados e R$ 10.461.648,86 correspondiam a recursos extraorçamentários. O total disponível, sem os recursos extraorçamentários, chegava a R$ 96.170.444,08. Em abril, o município tinha R$ 124,21 milhões em caixa. No encerramento de 2025, eram R$ 92,76 milhões.

 

Disponibilidade líquida

O saldo, porém, não pode ser confundido com dinheiro integralmente livre para novas despesas. Na apuração da dívida consolidada líquida, o relatório considera R$ 74,44 milhões em obrigações financeiras de curto prazo e R$ 7,98 milhões em empréstimos bancários de longo prazo. Depois desses compromissos, as disponibilidades de caixa líquidas ficam em R$ 24.205.714,37. Isso mostra a margem financeira efetiva do município.

Previsão atualizada de receita

A arrecadação acumulada até 31 de agosto chegou a R$ 427.986.127,45, contra R$ 380.519.195,81 no mesmo período de 2025. O avanço foi de 12,47%. A previsão atualizada da receita para o ano está em R$ 654.085.511,70, valor que incorpora arrecadação adicional, superávit financeiro de 2025 e recursos da AGER.

Receitas próprias

As receitas próprias responderam por R$ 193.724.663,88, ou 45,26% do total. O ISSQN foi a principal fonte, com R$ 65.166.726,36, seguido pelo IPTU, com R$ 49.993.416,94. Também tiveram peso relevante o Imposto de Renda Retido na Fonte, com R$ 19.905.616,46; a taxa de coleta de lixo, com R$ 14.557.446,22; e o ITBI, com R$ 12.720.806,19.

Transferências

As transferências representaram 54,74% da arrecadação, totalizando R$ 234.261.463,57. Entre os principais repasses estão a cota-parte do ICMS, com R$ 74.498.269,39; o FPM, com R$ 69.703.601,28; e o IPVA, com R$ 32.205.805,20. O retorno do Fundeb, somado à complementação do VAAR, alcançou R$ 50.252.926,42. As transferências para a Saúde foram de R$ 19.195.142,25 e as transferências de capital, R$ 11.509.600,76.

Crescimento

As receitas próprias cresceram 13,94%, passando de R$ 170,02 milhões para R$ 193,72 milhões. As transferências avançaram 11,29%, de R$ 210,49 milhões para R$ 234,26 milhões. O conjunto da receita, portanto, cresceu 12,47% em um ano.

Alta de 18,93% nas despesas 

No lado das despesas, foram empenhados R$ 493.698.519,79 até agosto, contra R$ 415.132.211,63 em 2025, alta de 18,93%. A despesa liquidada chegou a R$ 388.201.405,11, crescimento de 17,25%. Considerando o Executivo, a despesa liquidada foi de R$ 381.392.224,33.

Folha de pagamento

A folha continua sendo o maior componente da despesa, já que a prefeitura entrega serviços. Pessoal e encargos sociais consumiram R$ 183.355.487,17, equivalentes a 48,08% da despesa liquidada do Executivo. Nos últimos 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, a despesa total com pessoal ficou em R$ 275.165.044,98, diante de uma receita corrente líquida de R$ 627.622.959,56. O comprometimento da receita corrente líquida foi de 43,84% em agosto de 2026, contra 43,23% em abril e 43,13% em dezembro de 2025.

Investimentos

Depois da folha, o maior bloco de despesas foi o de serviços de terceiros, com R$ 64.069.533,40, ou 16,80%. A conta reúne vigilância, energia elétrica, aluguéis, compra de vagas em creches, consultorias e terceirização de mão de obra. Os investimentos do Executivo chegaram a R$ 31.435.513,76, representando 8,24%. Material de consumo consumiu R$ 18.524.259,59 e coleta de lixo e varrição de ruas, R$ 14.186.999,43.

Educação e Saúde concentram os maiores volumes

Por secretaria, Educação e Saúde concentram os maiores volumes. A Educação liquidou R$ 111.002.581,72, correspondentes a 29,10% da despesa do Executivo. A Saúde ficou com R$ 81.461.656,70, ou 21,36%. Obras, Habitação e Segurança somaram R$ 38.109.359,38, equivalentes a 9,99%. Meio Ambiente teve R$ 23.683.242,57; Encargos Gerais, R$ 23.334.805,03; Assistência Social, R$ 15.653.260,67; e Cultura e Esporte, R$ 15.438.359,49.

Resultado primário

O resultado primário também terminou positivo. As receitas primárias somaram R$ 419.015.583,13, enquanto as despesas primárias ficaram em R$ 386.005.019,12. A diferença foi de R$ 33.010.564,01. No mesmo cálculo, o resultado de 2025 havia sido de R$ 44.139.630,33.

Desempenho do Fundeb

Outro dado apresentado foi o desempenho do Fundeb. Erechim contribuiu com R$ 34.647.428,66 e recebeu, pelo retorno proporcional ao número de estudantes, R$ 47.089.276,57. O ganho do Fundeb em 2026 foi calculado em R$ 12.441.847,91. O percentual da receita do fundo utilizado no pagamento de professores chegou a 97,79%, diante do mínimo de 70% indicado no relatório.

O cenário

Os números apresentados na Câmara desenham um cenário de arrecadação em alta, receitas próprias crescendo acima de 13% e um caixa nominal superior a R$ 100 milhões. Ao mesmo tempo, quase metade da despesa liquidada do Executivo está concentrada em pessoal, enquanto Educação e Saúde absorvem mais da metade dos gastos por secretaria. O resultado primário é positivo, mas inferior ao do ano anterior, e o saldo bruto de caixa perde parte de sua força quando confrontado com as obrigações financeiras.

A fotografia

A audiência pública, prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, permite acompanhar quanto o município arrecada, onde o dinheiro está sendo aplicado e quais compromissos permanecem. No segundo quadrimestre de 2026, Erechim arrecadou mais, gastou mais e manteve recursos em caixa. A fotografia das contas está também no tamanho da folha, nos investimentos, nas receitas vinculadas e nos compromissos já contratados. É nessa conta que aparece a margem financeira para os próximos meses.

 

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