Hoje deixo de lado as “figuras ilustres da nossa terra”, para tratar de um tema que está dando o que falar em alguns estados brasileiros, a SILVICULTURA, ou seja, a produção florestal para obtenção de madeiras de diversos e multipolos usos, como celulose e papel, madeira solida para construção civil, indústria moveleira de chapas, aglomerados, compensados, mdf, osb, resíduos (serragem) para produção de pellets, maravalha para cama de aviário, bovinocultura, equinocultura, lenha e carvão vegetal, fibras para fabricação de absorvente para mulheres, utilizadas na indústria de alimentos, e mais uma gana infinita de uso da madeiras e seus constituintes.
Como falo a décadas, a “madeira vai do berço ao caixão”. E muitas vezes nem nos damos conta da sua presença em nossa vida!
O Brasil é o quarto maior produtor de madeiras do planeta, cuja produção chega a 350 milhões de m3 anuais. Em primeiro são os EUA com 500 milhões m3/ano; segundo a China com 400 milhões m3/ano, terceiro a Rússia com mais de 360 m3/ano; quinto Canada com 300 milhões de m3/ano. E olhem que também poderíamos ser o primeiro, só não somos pelas restrições impostas ao manejo das florestas nativas, e restrições ao plantio de espécies exóticas, seja pelo governo, seja pela “falácia” de ongs ambientalistas.
As projeções para o setor florestal brasileiro indicam um déficit de 16 milhões de metros cúbicos de madeira até 2030. O motivo é simples, enquanto o consumo continua aumentando, os plantios diminuíram drasticamente, a sustentabilidade da cadeia produtiva depende de um ciclo que leva de oito (08) a vinte e cinco (25) anos para se desenvolver, dependendo do seu uso.
O famoso “apagão florestal” que sempre ouvi falar desde a UFSM no Curso de Engenharia Florestal lá pelos idos de 1978 chegou!
O apagão florestal é um termo usado para descrever uma situação em que a demanda por madeira e biomassa cresce mais rápido do que a capacidade de reposição das florestas plantadas, gerando escassez de matéria-prima, aumento de preços e risco de desabastecimento para diversos setores econômicos.
Estudos realizados no Rio Grande do Sul diziam que o apagão estava previsto a partir do ano de 2000, o qual estaria relacionado à redução dos plantios de eucalipto, pinus e acácia negra, conversão das áreas reflorestada para agricultura, enquanto o consumo de madeira continuou crescendo. Mas, o mesmo não ocorreu de fato até os dias de hoje.
Entretanto, a região Sul e Centro Oeste é a mais afetada. Em estados como Paraná, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, ele chegou de vez. As análises mais recentes apontam que o cenário é regionalizado. Nestas regiões há evidencias claras de pressão sobre a oferta de biomassa e madeira. Entretanto, especialistas do setor florestal avaliam que o cenário provável é crítico, mas que dificilmente ocorrerá um apagão generalizado em todo o Brasil. O efeito mais provável é a redução dos estoques florestais e a valorização da madeira.
As principais causas da escassez de madeiras são:
- 1º) Redução dos plantios por produtores rurais devido à baixa rentabilidade histórica da silvicultura;
- 2º) Conversão de áreas reflorestadas para soja, milho e outras culturas agrícolas mais rentáveis;
- 3º) Crescimento do consumo de biomassa por: a) indústrias de papel e celulose; b) secadores de grãos; c) frigoríficos; d) esmagadora de grãos (soja); e) usinas de etanol e biodiesel; f) indústrias alimentícias; g) cerâmicas e olarias; h) ervateiras; entre outros.
- 4º) Aquisição de ativos florestais por grandes empresas verticalizadas, sinalizando preocupação futura com a oferta de madeira.
E teremos como consequências:
- 1º) Elevação gradual e contínua do preço da madeira, lenha e cavaco;
- 2º) Aumento das distâncias de transporte de biomassa;
- 3º) Maior competição entre setores consumidores de madeira;
- 4º) Possível redução da competitividade de indústrias dependentes de biomassa;
- 5º) Necessidade de verticalização;
- 6º) programas de fomento florestal e investimentos em florestas próprias.
Em resumo, o "apagão florestal" pode ser entendido como a “crise de oferta futura de madeira e biomassa causada pela insuficiência de novos plantios frente ao crescimento do consumo”, algo que afeta diretamente setores como biodiesel, etanol de milho, celulose, secagem de grãos e geração de energia.
Para quem não acreditou na reviravolta perdeu muito; mas para quem manteve seu ativo florestal, chegou o momento da valorização, de ganhar dinheiro!