O Brasil possui 356 usinas de etanol. Destas, 335 têm a cana-de-açúcar como matéria-prima, e outras vinte e uma (21) indústrias são de milho. Há mais dezessete (17) novas plantas de etanol projetadas para construção na região Centro-Oeste e Norte do país.
Importante lembrar que a Lei dos Combustíveis do Futuro – Lei 14.993/24 prevê a passagem de 30% da mistura de álcool anidro na gasolina para 32% ainda em 2026 e 35% em 2029.
Conforme mencionado na matéria da semana passada, o RS é líder nacional na transição energética com a produção de biodiesel, e o norte do RS se consolida como um grande polo industrial de biocombustíveis. O estado, em 2027, entrará também na produção de etanol anidro para mistura na gasolina ou venda direta ao consumidor.
Neste sentido, a empresa BE8 S.A. inaugurará, no início de 2027, no município de Passo Fundo (BR-386 – Km 316, sentido Passo Fundo a Carazinho), sua primeira indústria de etanol, cuja matéria-prima será de cereais de inverno (trigo, triticale e sorgo), inclusive podendo utilizar milho. A indústria processará 220.000 hectares/ano de grãos e produzirá de 22 a 24% do etanol consumido no RS, reduzindo seu preço, devido ao fato de o estado importar 100% dos estados do PR e SP. Também produzirá 100% de glúten vital, usado na indústria de alimentos (pão, biscoitos, cucas, massas etc.), em torno de 23.000 toneladas, o qual é totalmente importado, gerando excedente de 4.000 toneladas para exportação. Além disso, produzirá grande volume de farelo para ração (DDG), gás carbônico (CO₂) no processo de fermentação, que será captado e envasado para uso na indústria de refrigerantes e em aparelhos de solda, entre outros subprodutos.
Lembrando que o RS possui em torno de 8 milhões de hectares de lavouras, sendo apenas utilizados 1,5 milhão para cultivo no inverno. As demais áreas ficam para cobertura de solo e pastoreio rotacional. Dessa forma, cria-se uma perspectiva econômica para os produtores rurais da região norte e do estado, além de uma forma de agregar valor à produção agrícola e contribuir para o desenvolvimento regional.
Isto movimentará a economia circular, pois não mais falamos somente de alimentos produzidos pelo agro, mas também de energia, de transição energética, de sustentabilidade e de soberania nacional.
Percebe-se, em Passo Fundo, uma grande expectativa e euforia no meio político e na sociedade local, pois esta nova indústria acrescerá 23% ao seu PIB, e as informações técnicas divulgadas recentemente mostram que o município saltará da 6ª economia do Estado para a 4ª. E, junto, virá mais geração de postos de trabalho, renda, desenvolvimento tecnológico, aporte de profissionais altamente qualificados e oportunidades para outras empresas se instalarem no município. Como se diz, eis que surge uma “nova fase econômica e social”. Mas nada é por acaso, este salto em qualidade foi planejado lá em 2005-2006 pelo então secretário de Indústria e Desenvolvimento Econômico, Marcos Cittolin.
E dizer que, há 20 anos, Erechim era muito mais forte economicamente que Passo Fundo!
Relembrando e reafirmando que o Brasil possui 851 milhões de hectares, sendo 92 milhões de hectares de lavouras (11%), 165 milhões de hectares de áreas com pastagens nativas e plantadas (19%) e 10,20 milhões de hectares (1,5%) de florestas plantadas. E ainda temos 558 milhões de hectares (66%) de florestas nativas, além de outros 3,2%, com 27,2 milhões de hectares ocupados por rios, lagos, barragens, estradas, mineração, vilas, cidades, entre outros. Não precisaríamos derrubar mais florestas, como vem acontecendo diariamente, porque temos 50 milhões de hectares de pastagens severamente degradadas e mais 40 milhões em degradação. Se esses solos forem trabalhados agronomicamente para sua recuperação, teríamos quase 10 vezes a nossa área de uso agrícola.
Por estas duas últimas matérias, acredito que os leitores puderam perceber que o agro brasileiro segue impulsionando o Brasil, impactando fortemente nas economias dos municípios, regiões, estados e país, por meio da geração de receitas e impostos, milhares de postos de trabalho e renda à população.