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Saúde

Magreza nem sempre reflete saúde

Especialistas alertam que peso dentro da faixa considerada normal não garante equilíbrio

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Estar dentro do peso ideal não garante saúde metabólica, pois é possível ter maior acúmulo de gordur
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Durante décadas, a magreza foi associada à ideia de disciplina, autocuidado e bem-estar. Esse padrão, reforçado historicamente e amplificado pelas redes sociais, ainda influencia a forma como muitas pessoas avaliam a própria saúde. No entanto, especialistas alertam que o peso corporal, isoladamente, não é um indicador confiável do funcionamento do organismo. A aparência física pode mascarar alterações importantes, criando uma falsa sensação de segurança.

Essa pressão estética atinge principalmente mulheres e adolescentes, que frequentemente enfrentam expectativas irreais sobre o corpo. Em indivíduos magros, esse cenário pode tornar invisíveis problemas de saúde que não apresentam sinais externos, além de distorcer a percepção do que realmente significa estar saudável.

Magro por fora, com risco por dentro

Nem todo corpo magro é metabolicamente equilibrado. Há pessoas que, mesmo com índice de massa corporal dentro da faixa considerada normal, apresentam maior acúmulo de gordura visceral, aquela localizada na região abdominal e associada a maior risco cardiovascular, e baixa quantidade de massa muscular.

Esse perfil é conhecido como “magro por fora, gordo por dentro”, ou TOFI (thin outside, fat inside). Nesses casos, o organismo pode apresentar alterações metabólicas relevantes, mesmo sem mudanças visíveis. A distribuição da gordura corporal, portanto, tem impacto mais significativo sobre o risco de doenças do que o peso em si.

Doenças silenciosas que não aparecem no espelho

Estar dentro do peso ideal não elimina a possibilidade de desenvolver doenças. Muitas condições evoluem de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis no dia a dia. Entre elas estão alterações na glicemia, como resistência à insulina e diabetes tipo 2, que podem surgir gradualmente e só serem detectadas por exames laboratoriais.

Problemas como dislipidemia, caracterizada por níveis alterados de colesterol e triglicerídeos, também podem ocorrer em pessoas magras e aumentar o risco cardiovascular ao longo do tempo. O mesmo vale para a hipertensão arterial, frequentemente assintomática, e para a esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, que pode evoluir sem sinais evidentes.

Deficiências nutricionais também são comuns em indivíduos com alimentação desequilibrada, mesmo sem excesso calórico. A falta de nutrientes como ferro e vitaminas pode comprometer funções importantes do organismo. Além disso, condições como síndrome metabólica, osteopenia, osteoporose e sarcopenia, perda de massa muscular, podem se desenvolver independentemente do peso.

Outro ponto de atenção são as doenças cardiovasculares. O acúmulo de placas de gordura nas artérias e a pressão alta podem evoluir silenciosamente, aumentando o risco de eventos graves como infarto e acidente vascular cerebral.

Exames e acompanhamento

Diante desse cenário, a avaliação da saúde deve ir além do número na balança. Exames laboratoriais desempenham papel fundamental na detecção precoce de alterações metabólicas. Entre os principais estão hemograma, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol total e frações, triglicerídeos e marcadores de função renal e hepática.

Medidas clínicas simples, como a circunferência abdominal e a aferição da pressão arterial, também são importantes. Em alguns casos, exames de imagem, como o ultrassom abdominal, ajudam a identificar condições como a gordura no fígado.

O acompanhamento médico regular permite identificar riscos precocemente e orientar mudanças no estilo de vida, evitando a progressão de doenças silenciosas.

Estilo de vida e genética

A saúde é resultado de múltiplos fatores, e o peso corporal é apenas um deles. Hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e cuidados com a saúde mental têm impacto direto no funcionamento do organismo.

Por outro lado, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, uso indiscriminado de medicamentos ou suplementos e privação de sono podem comprometer a saúde mesmo em pessoas magras. A genética também desempenha um papel importante: histórico familiar de doenças cardiometabólicas pode aumentar o risco, mesmo quando os exames iniciais estão dentro da normalidade.

Muitas dessas condições evoluem de forma silenciosa e, em alguns casos, só são diagnosticadas após eventos graves. Por isso, a prevenção e o monitoramento regular são essenciais.

Saúde vai além da aparência

A ideia de que ser magro equivale a ser saudável é um mito que ainda persiste. Avaliar a saúde de forma adequada exige considerar o organismo como um todo, incluindo fatores metabólicos, hábitos de vida, histórico familiar e bem-estar emocional. Mais do que atender a padrões estéticos, o foco deve estar na manutenção de um corpo funcional e equilibrado ao longo do tempo.

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