No dia 19 de março, data dedicada a São José, o Colégio Franciscano São José, de Erechim, chega aos 103 anos de história. A trajetória da instituição se entrelaça com o desenvolvimento do município e com a formação de gerações de estudantes que passaram pela escola ao longo de mais de um século.
A presença das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora na região começou em 1920, quando chegaram ao então distrito de Três Arroios. A congregação buscava compreender as necessidades da comunidade local e atuar especialmente nas áreas consideradas essenciais para a vida social, como educação e saúde.
Três anos depois, em 1º de janeiro de 1923, formou-se um grupo com o propósito de fundar um colégio em Erechim. As atividades tiveram início em 19 de março daquele ano, com cerca de 160 meninas, em uma casa de madeira alugada na Rua Alemanha. A primeira diretora foi Ir. Maria Bernardina Renn, natural da Suíça, e a primeira estudante matriculada foi Ederige Pagnoncelli Sampaio.
A criação da escola também teria sido motivada pelo pedido de um sacerdote da época, que identificava a necessidade de um espaço voltado à formação das jovens da comunidade, inspirado em valores cristãos. A congregação aceitou o convite e enviou as irmãs para Erechim, dando início a um projeto educativo que se tornaria parte da história da cidade.
Em 1927, a instituição passou a funcionar no endereço atual, na Avenida 15 de Novembro, consolidando um espaço que, ao longo das décadas, se tornaria referência educacional para Erechim e região.
Uma história construída coletivamente
Para o Diretor Geral da instituição, Volnei Fortuna, a trajetória do colégio pode ser compreendida como resultado da participação de muitas pessoas e gerações.
“O espaço educacional é um organismo vivo. Muitas famílias, estudantes, professores e colaboradores fizeram parte dessa caminhada. O Colégio Franciscano São José nasce de um movimento comunitário e da missão das Irmãs Franciscanas”, destaca.
Segundo Ele, a proposta educativa da instituição sempre esteve associada à formação integral.
“Não se trata apenas de preparar profissionais, mas pessoas comprometidas com a sociedade e com os valores humanos. Esse é o chamado jeito franciscano de educar”, explica.
Caminhos que marcaram a trajetória
Ao longo das décadas, o colégio acompanhou as transformações da sociedade e ampliou as possibilidades de formação oferecidas à comunidade.
Entre os marcos históricos estão a criação do Curso Ginasial e da Escola Normal, dedicada à formação de professores. Muitos educadores formados nesse período passaram a atuar em escolas da região do Alto Uruguai e também em municípios de Santa Catarina.
Outro capítulo importante foi a criação do Conservatório de Música Francisco Manuel da Silva, iniciativa das Irmãs Franciscanas que estimulou o desenvolvimento artístico e musical em Erechim e influenciou a criação da atual Escola de Belas Artes Osvaldo Engel.
Com o passar do tempo, a instituição também passou a oferecer cursos técnicos, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, mais recentemente, o Ensino Médio.
Desafios ao longo da história
Entre os acontecimentos marcantes está o incêndio ocorrido em 5 de setembro de 1963, que destruiu a estrutura do prédio onde o colégio funcionava. A reconstrução aconteceu com apoio da Congregação, da comunidade e de diversas pessoas que se mobilizaram para que as atividades continuassem.
“A comunidade sempre teve um papel fundamental nesses momentos. Esse vínculo ajudou a manter a história do colégio em movimento”, recorda Fortuna.
Mais recentemente, a instituição também enfrentou os impactos de uma tempestade de granizo que atingiu Erechim e causou danos estruturais, exigindo novos esforços de recuperação.
Espiritualidade presente no cotidiano
A Diretora da Identidade Institucional, Ir. Cristiane Bisolo, explica que a espiritualidade franciscana permanece presente na rotina da escola.
“Temos momentos de oração no início das atividades, celebrações mensais na capela e encontros pastorais com os estudantes. São experiências que procuram aproximar os jovens dos valores de São Francisco de Assis e da vivência cristã”, relata.
Entre as iniciativas estão os Momentos Franciscanos, realizados mensalmente no pátio da escola, além de encontros pastorais com estudantes da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio.
Estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais participam dos Grupos de Adolescência Missionária, enquanto no Ensino Médio ocorre o Grupo da Juventude Missionária, voltado a ações solidárias inspiradas nos valores cristãos.
Educação conectada ao presente
A instituição também incorporou novos recursos pedagógicos e espaços voltados ao desenvolvimento dos estudantes, como ambientes de inovação, planetário e laboratórios.
Parcerias educacionais ampliam as possibilidades de aprendizagem, incluindo programas de idiomas que permitem aos estudantes realizar exames de proficiência com certificação internacional.
Além das atividades curriculares, a escola oferece opções extracurriculares como robótica, xadrez, balé, futsal, voleibol e judô, além de turno inverso para a Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais.
Comunidade e celebração
Projetos pedagógicos ao longo do ano procuram aproximar estudantes, famílias e comunidade, com atividades culturais, encontros formativos e eventos tradicionais.
Para marcar os 103 anos de história, a comunidade educativa prepara um momento de celebração. No dia 20 de março, às 18h15, será realizada uma celebração na Catedral São José, aberta à participação das famílias e da comunidade.
“Celebrar essa história significa olhar para o futuro e continuar acolhendo novas gerações. Queremos que as famílias conheçam nossa proposta educativa e essa experiência de espiritualidade que faz parte da nossa caminhada”, convida o Diretor Volnei.
Assim, a semente plantada em 1923, em uma casa de madeira, segue presente na memória e na formação de milhares de estudantes que passaram pelo Colégio Franciscano São José ao longo de mais de um século.