O daltonismo, ou discromatopsia, é uma condição hereditária que afeta a percepção das cores. Mais comum em homens, a doença é causada por alterações no funcionamento dos cones da retina, essenciais para a distinção das cores.
O que é o daltonismo e como os cones funcionam
O sistema visual humano depende de dois tipos de fotorreceptores localizados na retina, os bastonetes e os cones. Enquanto os bastonetes estão presentes em quase toda a retina e ajudam na visão em baixa luminosidade, os cones se concentram na fóvea central e são responsáveis pela percepção das cores.
“No daltonismo os cones estão ausentes ou funcionam de uma maneira alterada”, explica Dra. Daniele Bica Madalozzo, oftalmologista do Instituto de Olhos Santa Luzia, especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo. “Pacientes com essa doença são incapazes de distinguir uma ou mais cores no espectro natural, dependendo em qual tipo de cone está a alteração”.
A forma mais comum do distúrbio é a dificuldade em diferenciar vermelho e verde, ligada ao cromossomo X, o que explica a maior incidência em meninos.
Como identificar sinais precoces em crianças
Detectar o daltonismo antes da fase escolar é possível observando alguns sinais. Dra. Daniele orienta que “podemos perceber alguns sinais como dificuldade persistente para aprender ou nomear cores após os 3-4 anos de idade, dificuldade com atividades de cores e erro frequente para pintar, como pintar as folhas das árvores de marrom”.
Diagnóstico
O diagnóstico costuma ser realizado a partir dos 5 anos, quando os testes se tornam mais confiáveis. Um exame comum é o teste de Ishihara, “o diagnóstico é feito a partir do teste de Ishihara no qual consiste em pranchas com números formados por pontos coloridos. Pode ser adaptado com desenhos para crianças menores e se alterado levanta a suspeita de daltonismo, mas não faz o diagnóstico”, explica a médica.
Impactos na vida escolar
O daltonismo não identificado pode interferir significativamente no desempenho escolar. “O daltonismo não identificado pode atrapalhar o interesse da criança pelas atividades escolares nos níveis iniciais que é muito envolvida com a diferenciação de cores em atividades com pintura, massinha de modelar, slime”, afirma Dra. Daniele. Após o diagnóstico, adaptações na escola e estratégias da criança podem melhorar o acompanhamento das atividades.
Diferenciando daltonismo de dificuldades de aprendizado
Crianças daltônicas podem ser equivocadamente vistas como desatentas ou com baixo rendimento. Dra. Daniele esclarece que “o daltonismo não afeta a inteligência nem a acuidade visual, mas pode atrapalhar tarefas que exijam diferenciação de cores”. Uma avaliação cuidadosa dos pais e professores consegue identificar que a dificuldade está relacionada às cores, não à aprendizagem em geral.
Desafios do dia a dia e impacto profissional
Além das atividades escolares, o daltonismo pode afetar tarefas cotidianas como reconhecer semáforos ou sinais coloridos. A condição também limita escolhas profissionais em áreas que exigem percepção precisa de cores, como aviação, engenharia e forças armadas. “Portanto, é fundamental diagnosticar o daltonismo o mais precocemente possível para que as orientações e adaptações sejam feitas”, alerta a médica.
Recursos e adaptações disponíveis
Embora não haja cura, existem formas de ajudar crianças daltônicas. Dra. Daniele comenta que em geral não são necessários recursos externos para a criança com daltonismo. A partir do diagnóstico, com auxílio dos pais, pode-se criar medidas para auxiliar na prática a criança a diferenciar cores, como colocando símbolos ou letras nas canetinhas e lápis de cor. Auxílios através do celular e chatgpt podem ajudar a diferenciar cores em momentos específicos através de tirar uma foto do item/objeto. “Existem óculos e lentes de contato que filtram alguns comprimentos de ondas da luz para melhorar o contraste das cores, mas exigem testes de adaptação para avaliar a melhora pessoal em cada caso e orientação do oftalmologista”, coloca.
Orientações para famílias e escolas
Para garantir o pleno desenvolvimento acadêmico e emocional da criança, a médica orienta que não é uma doença progressiva, que não causa baixa visão e que a maioria das crianças se adapta muito bem. Algumas orientações que se pode dar para escola e para os pais são, não insistir para ‘acertar’ a cor, ensinar estratégias para identificação das cores como utilizar símbolos para cada cor, orientar a professora a não utilizar apenas cores em gráficos e mapas, utilizar recursos de celular como apps que ajudam a identificar as cores. “E lembrando que cada criança é única e pode ter dificuldades variadas e a partir delas, utilizamos estratégias que possam ser úteis”, conclui Dra. Daniele.