Estudantes da rede estadual que já vivenciam o Ensino Médio em Tempo Integral participaram, na quinta-feira (12), de uma ação de acolhimento voltada a alunos e equipes diretivas de 19 escolas que passarão a ofertar a modalidade neste ano. A atividade foi realizada nos turnos da manhã e da tarde, nas dependências da URI Erechim, reunindo instituições vinculadas à 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
A programação foi conduzida pelos próprios alunos, com acompanhamento de professores e coordenadores das escolas que já desenvolvem a proposta: Escola Estadual Normal José Bonifácio, Escola Estadual de Educação Básica Dr. Sidney Guerra e Escola Estadual de Ensino Médio Irany Jaime Farina.
Esses estudantes serão responsáveis por conduzir iniciativas estruturantes do modelo, momento que inaugura o ano letivo nas escolas em tempo integral e estabelece um ambiente de integração, pertencimento e corresponsabilidade entre todos.
Juventude à frente das atividades
Durante o encontro, os estudantes compartilharam vivências, organizaram dinâmicas e promoveram momentos de reflexão sobre projeto de vida, rotina escolar e adaptação à jornada ampliada.
Luis Henrique Rosa Schorn, 15 anos, da Escola Estadual de Ensino Médio Irany Jaime Farina, definiu a vivência como um momento de troca. “É um processo de muito aprendizado, porque além de apresentar as dinâmicas e o que precisa ser feito, nós também aprendemos. Observamos como eles organizam, como agem, refletem e pensam as atividades”, relatou.
Segundo ele, a ampliação da carga horária impacta não apenas o desempenho estudantil, mas também o desenvolvimento pessoal. “Nós aprendemos a lidar melhor com as questões emocionais e sociais”, afirmou.
Para o estudante, o protagonismo juvenil está associado à iniciativa e à responsabilidade. “É dar um passo na própria vida, nas escolhas do cotidiano e também na escola.”
Bárbara Briceno, 17 anos, da Escola Estadual Normal José Bonifácio, também participou da condução das atividades. Ela falou sobre o fortalecimento da comunicação e da convivência proporcionados pela experiência.
“Nós aprendemos a falar em público e percebemos que os colegas se sentem mais à vontade para dialogar”, comentou.
Para Bárbara, o conceito de protagonismo está relacionado ao cuidado com o outro. “É saber acolher e estar presente. Muitas vezes alguém precisa desse apoio para se sentir seguro.”
Adaptação à jornada ampliada
Ao relembrarem o ingresso na modalidade, os estudantes mencionaram o período inicial de adaptação à permanência em tempo integral na escola.
Luis afirmou que, após o primeiro mês, já estava habituado à nova rotina. Bárbara relatou que precisou de mais tempo para se ajustar, especialmente por não ter vivenciado anteriormente o turno integral. Segundo ela, o apoio dos colegas foi determinante nesse processo.
A estudante também mencionou ter vindo da Venezuela e enfrentado desafios relacionados à adaptação e à língua portuguesa, apontando o ambiente escolar como elemento importante para sua integração. Atualmente, demonstra interesse em seguir na área de Administração, motivada pelas experiências no curso técnico e na própria vivência escolar.
Acolhimento como eixo estruturante
A professora Cleci Luísa Lovera, da Escola Estadual de Educação Básica Dr. Sidney Guerra, esteve presente na atividade e explicou que o processo de integração faz parte dos princípios da proposta pedagógica.
“São jovens protagonistas atuando com futuros protagonistas. Uma das características do ensino em tempo integral é justamente esse momento de recepção”, afirmou.
Conforme a coordenadora, a iniciativa envolve toda a comunidade escolar, incluindo equipe diretiva, professores, servidores e famílias. As atividades priorizam integração, escuta e construção coletiva de metas.
Ela acrescentou que os familiares também participam de momentos específicos, com reflexões sobre expectativas e objetivos. Esses registros são organizados simbolicamente em painéis temáticos, como o “girassol dos sonhos”, utilizados como referência para o projeto de vida dos estudantes e para o planejamento das unidades escolares.
Cleci Luísa Lovera atua ao lado das professoras Catia Marcia Golunski, da Escola Estadual de Ensino Médio Irany Jaime Farina, e Marcia Teresinha Mingotti Colling, da Escola Estadual Normal José Bonifácio, que também orientam os alunos na condução das atividades.
A educadora mencionou ainda que as iniciativas não se limitam ao início do ano letivo, podendo ser retomadas ao longo do período escolar.
Escolas que já oferecem o Ensino Médio em Tempo Integral — como a Escola Estadual de Educação Básica Dr. Sidney Guerra, a Escola Estadual de Ensino Médio Irany Jaime Farina e a Escola Estadual Normal José Bonifácio — integraram o encontro e compartilharam suas vivências com as instituições que passarão a adotar a modalidade na região.