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Expressão Plural

Uma meditação sobre pessoas e plantas

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JF Martignoni
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

Estava assistindo a uma aula de Nick Keomahavong, um monge budista tailandês, enquanto ele explicava sobre meditação. Ele fez uma analogia sobre como começar a meditar que me trouxe algumas reflexões sobre a vida e a sociedade.

Parafraseando Nick, quando queremos que uma planta nasça, não podemos simplesmente abrir a semente e arrancar a flor de lá. É preciso propiciar as condições necessárias para que a planta cresça por si mesma: pegar um vaso, enchê-lo com uma boa terra, com os nutrientes necessários, regá-la, colocá-la em um lugar que ofereça a quantidade de sol de que ela precisa e esperar que ela se desenvolva, cuidando para que não falte nada. Caso contrário, não será como o esperado, e não podemos culpá-la por isso.

Sofri anos tentando cultivar temperos para usar nas minhas receitas. Eles sempre morriam logo depois de comprá-los. Acabei, por um bom tempo, plantando apenas árvores, que geralmente se viram sozinhas. Todavia, não desisti para sempre e, na última vez, tive uma ideia que, para muitos de vocês, deve ser óbvia, mas, como eu estava apenas aprendendo sozinho e nada me foi ensinado, foi na tentativa e erro. Enfim, coloquei-as diretamente no sol, no pátio de casa, ao invés de em um lugar onde batia sol dentro de casa. Cresceram maravilhosamente bem e melhoraram a culinária deste lar durante todo o inverno. Um milagre: o segredo estava descoberto.

Entretanto, no verão, comecei a reparar que, principalmente, o manjericão estava sempre murcho lá fora. Comecei a reduzir o tempo que as deixava lá, sempre dando água antes de colocá-las no sol quente, e elas voltaram a crescer com vigor.

A analogia dele era sobre criar um lugar que deixe a meditação vir por si mesma, sem o tradicional — e geralmente ineficaz — forçar os pensamentos a parar. Minha reflexão me levou a outro lugar. Por que não pensamos se damos as condições propícias para as pessoas florescerem? Será que seu filho é um problema ou será que, em uma época, o “sol” o tempo todo o ajudou, mas agora está o sufocando? Será que o amor está morrendo porque anda descuidado? Será que seus funcionários não querem produzir mais ou falta “água”? Será que a violência na sociedade é uma praga a ser arrancada ou o solo precisa melhorar para que possam vir mais flores, que ainda são apenas sementes?

Ou, até, olhe para dentro de si: será que você não está se comparando a árvores sendo um manjericão? O manjericão precisa de mais cuidados para se desenvolver, mas alguém vê o manjericão como menos por isso? Não.

Tudo na natureza tem seu tempo e suas necessidades. Andamos esquecendo que também fazemos parte da natureza. Beba água, pise na terra e pegue sol.

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