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Expressão Plural

Até quando?

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Gabriela de Freitas
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

É impossível não se assustar com a quantidade de matérias relacionadas ao feminicídio. Uma mulher foi arrastada pelo ex em São Paulo. Outra foi morta pelo ex-companheiro em Tapejara. Histórias que se acumulam na linha do tempo das notícias, mas que jamais deveriam se tornar rotina. Não podemos ignorar o fato de que mulheres continuam morrendo injustamente por conta de um machismo profundamente enraizado na nossa sociedade. Não podemos normalizar essas mortes violentas que acontecem, quase sempre, pelo mesmo motivo: homens que não aceitam o fim, que não sabem lidar com o “não”.

Homens educados para impor suas vontades a qualquer custo, ensinados a confundir amor com posse, controle com cuidado. Homens que acreditam que a vida de uma mulher vale menos do que o próprio orgulho ferido. Como se a nossa existência fosse negociável. Como se o término de uma relação justificasse a violência. Como se o corpo e a vida de uma mulher fossem extensão da vontade masculina.

Ainda em 2025, os números assustam, e escancaram que isso não é exagero, nem discurso vazio. No Rio Grande do Sul, mais de cinquenta mulheres já foram mortas em razão do gênero neste ano. Outras centenas sobreviveram a tentativas de feminicídio, carregando no corpo e na memória marcas que jamais serão apagadas. São dados oficiais, frios no papel, mas devastadores na realidade. Cada número tem nome, tem rosto, tem família. Cada estatística representa uma ausência definitiva.

O mais cruel é perceber que, na maioria das vezes, o agressor não é um desconhecido. É alguém que um dia disse amar. É um ex, um companheiro, um marido. É alguém que estava dentro de casa, do círculo íntimo, do cotidiano. A violência não chega de repente, ela cresce, se anuncia, ameaça, até que um dia se transforma em morte. E mesmo assim, seguimos tratando muitos desses casos como tragédias isoladas, quando são, na verdade, parte de um mesmo sistema.

Um sistema que silencia denúncias, relativiza agressões, questiona vítimas e protege agressores. Um sistema que ensina mulheres a terem medo e homens a não lidarem com frustração. Um sistema que mata.

Não dá mais para fingir surpresa. Não dá mais para dizer que “ninguém imaginava”. Os números estão aí, repetidos ano após ano, gritando que algo está profundamente errado. Feminicídio não é um crime passional. É um crime de ódio. É o resultado final de uma cultura que ainda não aprendeu a respeitar a autonomia feminina.

Enquanto continuarmos aceitando essas mortes como parte da paisagem das notícias, enquanto não tratarmos o machismo como o problema estrutural que ele é, mulheres continuarão morrendo. E cada nova manchete será mais um lembrete doloroso de que falhamos, como sociedade, em proteger vidas que jamais deveriam ter sido descartáveis.

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