Representantes de diversas entidades da agricultura familiar estiveram reunidos, nesta quinta-feira (04), com o prefeito de Erechim, Paulo Polis, para discutir encaminhamentos relacionados aos prejuízos causados pela intensa tempestade de granizo que atingiu o município. Diversas lavouras, instalações e estruturas produtivas foram danificadas, afetando diretamente a renda e as condições de trabalho das famílias agricultoras.
O encontro teve como foco alinhar estratégias para atender as perdas no meio rural, considerando os prejuízos que atingiram desde residências e galpões até áreas de cultivo e sistemas produtivos essenciais para a continuidade das famílias agricultoras. As entidades apresentaram ao chefe do Executivo a necessidade de construir demandas específicas que garantam que o apoio chegue efetivamente à cadeia produtiva da agricultura familiar, indo além da ajuda humanitária emergencial.
O prefeito destacou que, neste primeiro momento, a administração concentra todos os esforços na resposta emergencial, mas reforçou a importância de já planejar ações estruturantes para o período pós-reconstrução. “De momento, a energia total está na ação emergencial, mas o objetivo é poder trabalhar também em projetos pós-reconstrução, na habitação popular e nas demandas que o evento climático revelou”, afirmou.
Foi apresentada uma pauta para criação de um auxílio emergencial às famílias do meio rural afetadas, bem como apoio nas negociações com os governos estadual e federal. A comissão e a Prefeitura alinharam a construção de um documento oficial que será encaminhado a ambos os governos, solicitando a instituição de um programa emergencial, no qual o município deverá aportar contrapartida. Ao governo do Estado, será solicitado o acionamento de recursos do FUNRIGS — fundo estadual criado para reconstrução após eventos climáticos — do qual a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF-RS) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fazem parte.
O vereador Balen da Feira também participou do encontro e destacou a importância de atender com urgência as famílias agricultoras. “São elas que produzem os alimentos que chegam à mesa das famílias da cidade, e precisamos garantir condições para que continuem produzindo. Além das casas, os agricultores perderam instalações, lavouras e estruturas fundamentais para manter sua atividade”, disse.
O coordenador-geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (SUTRAF-AU), Alcemir Bagnara, que liderou a comitiva, destacou que a agricultura familiar não pode ser invisibilizada. “As perdas foram enormes, e os programas oficiais existentes hoje não têm condições de responder à magnitude dos danos”, afirmou.
Segundo Tatiane Paulino, da Coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), também é essencial olhar para a população urbana afetada. “ É necessário criar um auxílio aos moldes do Auxílio Reconstrução para apoiar as famílias nas perdas materiais — como móveis, eletrodomésticos e até na mão de obra para reforma de suas moradias — assim como pensar uma política pública de habitação inspirada no Minha Casa Minha Vida – Faixa 1”, pontuou.
As entidades e a Prefeitura seguirão em diálogo permanente para consolidar os levantamentos necessários e buscar recursos que garantam a retomada da produção, o fortalecimento da agricultura familiar no município e o atendimento às demandas da população urbana também fortemente atingida pelo evento climático.