Sou uma pessoa que tenta acreditar na bondade dos outros, mas, a cada ano, esse sentimento parece diminuir.
Ninguém está preparado para enfrentar um desastre climático, porém qualquer pessoa com um mínimo de humanidade compreende que essa não é uma situação para oportunismo.
Minha esperança enfraquece diante de políticos que transformam a dor alheia em palanque; de lojistas que elevam o preço de materiais essenciais para quem tenta reconstruir a própria casa; da falta de empatia com funcionários que não têm condições psicológicas, ou sequer uma residência em pé, para entregar rendimento no trabalho; daqueles que permanecem indiferentes a situações que não os afetam; da perversidade de quem promove notícias falsas para alimentar o desespero; dos que forjam campanhas de doação para aplicar golpes e fraudes; e, sobretudo, de colegas de imprensa que exploram a dor alheia em busca de sensacionalismo e visualizações.
A humanidade não é mais a mesma, e a minha esperança na bondade das pessoas também não.