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Expressão Plural

O futuro que bate à porta

Jornalista e Historiador

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

A tecnologia, nas mais diferentes formas, cheiros e cores sempre foi a premissa da humanidade quando saímos das trevas da Idade Média para o início da Revolução Industrial, ou seja, quando mentes brilhantes começaram a desenhar máquinas, a trabalhar com os líquidos, a criar novas formas e, portanto, dando início a grandes mudanças no mundo. Da colheita para a indústria, o passo foi gigantesco, mas mudou a forma como estávamos vendo o mundo moderno.

            Dos desenhos de Da Vinci, à invenção do bisturi, do surgimento do automóvel, do avião, dos submarinos, dos tanques de guerra, da medicina, da conquista do espaço, dos buracos negros, do transplante de órgãos, da penicilina, da insulina, da estação espacial e outras milhares de descobertas, o mundo se recriou, se transformou e se conecta cada vez mais com as necessidades que fazem cada vez mais parte do nosso dia a dia.

            Nesta caminhada também sempre sonhamos com automóveis voadores iguais aos vistos nos cinemas, naves interestelares nas mais fantásticas formas e trajes que como uma pele, nos transformam em únicos. Mas, desde os primórdios do conhecimento sempre tivemos uma veia aberta para os autônomos, ou seja, robôs que passam a conviver entre humanos e passam a pensar e agir como eles.

 Durante boa parte do século passado, o futuro era um sonho distante. Estava nas telas de cinema, nas páginas de ficção científica, nos delírios de quem imaginava um mundo povoado por robôs com sentimentos e máquinas dotadas de consciência. Hoje, esse futuro não é mais imaginação — ele está na sala de estar, atendendo pelo nome de NEO, um androide capaz de se mover, conversar e reagir como um de nós.

 O lançamento do NEO nos Estados Unidos é mais do que uma façanha tecnológica; é um símbolo do novo tempo humano. A fronteira entre o real e o imaginado se desfez, e o homem moderno começa a conviver com aquilo que antes só ousava sonhar. Já não nos espantamos com casas que pensam, assistentes que falam ou carros que dirigem sozinhos. O espanto cedeu lugar à familiaridade, e talvez aí resida o maior impacto dessa revolução.

 Vivemos a era em que a tecnologia deixou de ser ferramenta e passou a ser presença. Ela nos observa, nos entende e, em certos momentos, parece nos conhecer melhor do que nós mesmos. Há um certo paradoxo nisso: quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, mais precisamos reafirmar a nossa própria humanidade.

 O NEO é um marco nesse processo. Ele representa o desejo antigo de criar algo à nossa imagem e semelhança — não no sentido divino, mas existencial. É o espelho do homem contemporâneo: curioso, conectado, carente de companhia e fascinado por si mesmo.

 Há quem veja nesse avanço uma ameaça, e não sem razão. O risco de substituir vínculos humanos por interações artificiais é real. Mas também é verdade que, se bem conduzida, essa convivência pode nos levar a um estágio mais elevado de consciência, um tempo em que as máquinas assumem o trabalho repetitivo e nos devolvem o direito de ser plenamente humanos.

 O fato é que o futuro chegou. E não veio com naves ou lasers, mas com olhos de câmera e voz suave. Ele se chama NEO, e veio lembrar que o amanhã, afinal, sempre esteve dentro de nós, esperando apenas que a tecnologia abrisse a porta.

 

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