Esta semana conversávamos sobre comportamentos masculinos desprezíveis. Falávamos sobre vídeos de casamentos em que o noivo, em plena cerimônia, exibia uma placa nas costas com os dizeres “Salve-me”. Em outros, o homem jogava a noiva na piscina, ainda de véu e grinalda, ou a atirava em cima do bolo. Brincadeiras que parecem ter passe-livre para os homens, mas que são ridículas. E, obviamente, machistas, porque colocam a mulher como carrasca, como se fosse ela a responsável por “obrigar o cara a casar”.
O questionamento que eu e meus amigos fizemos foi: então, por que casar? Se é um momento da vida em que você ridiculariza a pessoa que está ao seu lado, quem deveria ser sua companheira, quem merece respeito e consideração... Aos homens que ainda cultivam esse tipo de comportamento, eu desejo que nunca subam a um altar para transformar suas futuras esposas em chacota.
Acredito que o ato de casar, religioso ou não, é um momento em que se assume uma decisão. E veja, falo em decisão porque é algo importante. Se eu me caso com alguém, é porque tenho amor e admiração por essa pessoa, porque quero compartilhar a vida com ela e, acima de tudo, devo respeitá-la. Imagine transformar uma ocasião de compromisso num picadeiro para entreter “amigos” que acham graça disso.
Não é sobre ser contra o humor. O riso tem o seu lugar, e até pode estar presente no casamento, em momentos leves, espontâneos. Mas quando o “humor” é feito às custas da dignidade do outro, deixa de ser engraçado. Torna-se violência disfarçada, normalizada, aplaudida por plateias que não percebem o quanto isso fere.
Minha questão aqui não é impor o casamento. Há quem queira casar e há quem não queira — e está tudo certo. O problema começa quando alguém não se decide, quando entra em uma relação sem clareza sobre o que deseja, sem honestidade com quem está ao lado. A irresponsabilidade afetiva é isso: brincar com sentimentos alheios como se fossem descartáveis, usar o outro como personagem de uma história que não se pretende viver de verdade.
E essa reflexão não serve apenas para casamentos. Vale para todos os tipos de relacionamentos. Precisamos ser claros e honestos com o que sentimos e com as nossas intenções. Do mesmo modo, precisamos cuidar da nossa autoestima, para não cairmos na armadilha de estar com pessoas que não têm maturidade emocional e ainda tentam sugar a nossa.
No fim das contas, o amor — seja no casamento, no namoro ou em qualquer vínculo — deveria ser um lugar de cuidado mútuo. Respeitar quem escolhemos para caminhar conosco é o mínimo. O resto é só espetáculo vazio para plateias que riem daquilo que nunca deveria ter graça.