O ano que passou foi positivo e com muitas obras e investimentos em Benjamin Constant do Sul. Apesar da crise e dos atrasos do governo do Estado na saúde, que giram por volta de R$ 300 mil, e que representam muito para um município pequeno. Segundo o prefeito, Itacir Hochmann, as perspectivas são boas para 2020, já que o município está fechando as contas em dia.
Benjamin Constant do Sul fica a 43 quilômetros de Erechim, tem um orçamento anual de R$ 11 milhões, e uma população de 2307 habitantes, sendo que destes 50% são indígenas, que vivem em duas reservas, Guarani e Caingangue.
Conforme o prefeito, entre os grandes investimentos de 2019 está a conclusão de parte do saneamento básico do município, pavimentação de ruas na cidade, construção de rede de água potável no interior e, também, compra de máquinas.
Agricultura
O município tem políticas públicas para incentivar agricultura, que é a base da economia, e realiza o plantio, para os agricultores, de milho, soja, feijão, pastagens, com subsídios de 60% do valor da hora-máquina.
Segundo Itacir, a administração municipal também tem programas de auxílio à produção agrícola dos indígenas. “Repassamos combustível e recursos para a associação, em torno de R$ 20 mil para pagar os operadores, e eles mesmos fazem o plantio. Os indígenas plantam soja, milho em torno de 500 hectares, e a renda dessa produção fica com eles”, explica.
O prefeito comenta que cada indígena cultiva um pedaço de terra, mas também fazem uma lavoura coletiva. Ele ressalta que a reserva indígena é produtiva, não é alugada, “os próprios indígenas usufruem daquele espaço”.
Atualmente, eles plantam 35% da área da reserva, e todos os anos a administração municipal vem incentivando ampliação da área de plantio. “Ano passado tinha 400 hectares, e neste ano foi para 500 hectares cultivados. Os recursos das lavouras ficam com os indígenas para melhorar a qualidade de vida deles”, disse.
Saúde
O município investe 21% do orçamento em saúde. “Pra ter uma ideia, a administração oferece todo tipo de medicamentos aos munícipes. Temos uma UBS na comunidade indígena e outra na sede da cidade, com três médicos atuando. Não temos hospital, o Hospital Santa Terezinha de Erechim é a nossa referência”, comenta.
Educação
A educação é outra área prioritária do município que investiu no ano passado 26% do orçamento nesse setor.
Dificuldades
Na avaliação do prefeito Itacir, uma das principais dificuldades é a falta do acesso asfáltico, que acaba impedindo a vinda de investimentos, criando empecilhos para o desenvolvimento local e a instalação de novas empresas. Essa situação negativa, causa certo isolamento do município.
Segundo Itacir, faltam cinco quilômetros de asfalto, e o município não tem condições de financiar toda a obra, porque comprometeria uma boa parte da receita, que gira em torno de R$ 11 milhões anualmente. “Seria viável financiar somente uma parte da obra, cerca de R$ 2 milhões, mais que isso ficaria complicado. Se tentou fazer uma parceria com o Estado, mas não deu certo”, disse.
Mandatos
“É o meu segundo mandato, já fui vice-prefeito, depois prefeito. Vamos começar agora a fazer esta discussão sobre o que será feito nas eleições deste ano. Como é um município pequeno, o melhor seria fazer uma eleição de consenso, porque é mais tranquilo para trabalhar. O município tem hoje 1860 eleitores”, explica.
Perspectivas
A projeção para este ano, conforme o prefeito, é buscar recursos via emenda parlamentar em Brasília, no mês de março, para fazer mais investimentos em saúde, pavimentação, ampliar a rede de saneamento básico a mais famílias e adquirir terreno e construir a capela mortuária municipal, entre outras ações.
Alternativas
O gestor ressalta que vai continuar trabalhando para efetivar o acesso asfáltico e tentar captar investimentos para o município. Uma das alternativas que está sendo construída pela administração é fomentar a produção de carnes de frango e porco, que geram um bom retorno de ICMS. “Partir para essa estratégia para pensar o futuro, e Benjamin Constant do Sul ter uma receita maior. Estamos conversando com as empresas Aurora e Alfa, vamos criar incentivos para incentivar essa cadeia”, observa.