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Erechim 100 anos

Erechim miscigenada

Município abriga valores culturais e materiais de diferentes etnias

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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo Histórico

Município abriga valores culturais e materiais de diferentes etnias

A concepção de que a Erechim que se conhece hoje surgiu à margem da ferrovia é defendida em diversos documentos do passado do município. Um deles, disponível no Arquivo Histórico, relembra que o município foi colonizado basicamente por imigrantes de origem polonesa, italiana e alemã, além da presença, claro, dos nativos que pela região já habitavam. “O povoado formou-se em 1908 à margem e arredores da estrada de ferro. Foi neste ano que 36 pioneiros, entre imigrantes europeus e outros vindos das terras velhas (Caxias do Sul), vieram pela estrada de ferro e habitaram o lugar, que logo tornou-se um Distrito de Passo Fundo”.

No trabalho acadêmico disponível no Arquivo Histórico intitulado A Colonização de Erechim a partir da Demarcação de Terras, consta que “A demarcação de terras de Erechim iniciou em 1904, aproveitando que se fazia o traçado por onde deveria passar a ferrovia (...). A instalação do Núcleo habitacional onde hoje se localiza a cidade se dá em 1910, com apenas 36 colonos, sendo 28 pessoas pertencentes a quatro famílias, além de oito pessoas solteiras. No decorrer do ano a população atingiu 226 pessoas divididas em 31 famílias de russos, alemães, franceses, austríacos e outras nacionalidades”.

Nos anos seguintes, conforme o documento, milhares de estrangeiros foram chegando, além de migrantes vindos das colônias velhas, já muito subdivididas. Eram principalmente descendentes de italianos e alemães que procuravam novas terras. Do estrangeiro eram poloneses e russos que vinham em maior número. Com o início da Primeira Guerra e o fim do acordo do estado com a União para imigração, cessou a entrada de estrangeiros.

Quando fundada a Colônia, a Comissão de Terras procurou legalizar as terras aos “intrusos” – a maioria luso-brasileiros, demarcando lhes lotes, protegendo-os, misturando-os aos colonos de origem estrangeiras nascidos no Estado. Ao citar a obra do historiador Ernesto Cassol, o documento afirma que “O positivismo deu condições ao caboclo ter a sua propriedade, mas ele era errante, não tinha tradição ao sedentarismo e alguns acabaram sendo peões, outros, quando as condições socioeconômicas tornaram-se mais difíceis, foram para terras mais recortadas e menos valorizadas, como Itatiba ou para as barrancas do Rio Uruguai.

Conforme o documento, a Comissão de Terras foi de fundamental importância para assentamento dos colonos e para o início do município de Erechim. A construção, que serviu de sede para a primeira repartição pública a funcionar na então vila Paiol Grande, foi o Castelinho, construído em 1915 e abrigando a comissão em 1916. Suas atribuições principais envolviam a demonstração e venda de lotes rurais e urbanos, assentamento de agricultores e abertura de estradas.

O trabalho ainda ressalta que Erechim é considerado caso único em matéria de colonização, fato justificado em razão de que criado em 1908, a Colônia recebia em 1910 os primeiros colonos, três anos depois já somava mais de 18 mil habitantes e em 1918 formava um município autônomo, de importância econômica equiparável aos mais antigos e ricos do Rio Grande do Sul.

O mesmo trabalho destaca ainda a questão da miscigenação, que diz ter sido incentivada pelo pensamento positivista, que temia um foco de nacionalismo. Neste contexto, a publicação ressalta que na cidade conviviam colonos e descendentes de portugueses, poloneses, suecos, alemães, italianos, austríacos, espanhóis, franceses, israelenses, russos, holandeses, entre outros.

Limitação de fontes

Na maioria das fontes que discutem a colonização, há um grande enfoque nas etnias italiana, alemã, polonesa e, também, nos judeus. Elas são consideradas predominantes neste contexto, já que reuniam a maior parte dos imigrantes que encontraram em Erechim lugar para construírem suas histórias. Talvez seja esse o motivo pelo qual há maior diversidade de documentos, registros e trabalhos acadêmicos voltados a estes povos e suas respectivas trajetórias desde a chegada à região, visto que por ainda possuírem descendentes, estes são temas que geram maiores iniciativas de pesquisas acadêmicas, por exemplo.

As fontes sobre outros povos e etnias que colonizaram Erechim são mais limitadas, por vezes se restringindo somente à citação de sua participação no processo colonizador. Isso não significa, porém, que não tenham tido a devida importância na construção da Colônia Erechim e que não tenham colocado em prática neste espaço seus valores culturais e materiais.

Uma das obras que faz um panorama um pouco além em relação a parte destas etnias é O Grande Erechim e sua história, de Antônio Ducatti Neto, no qual consta a quantidade dos habitantes em números. “Em 1915 a população de Erechim ascendia a 27.259 habitantes, dos quais 3.625 eram alemães; 7.114 brasileiros; 5.721 poloneses; 246 suecos; 1.827 italianos; 722 austríacos; 106 espanhóis, 74 franceses; 234 portugueses além de 7.863 de outras nacionalidades”.

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