O valor de um exemplo negativo
O tema principal do livro de Hebreus é a grandeza e primazia de Jesus Cristo. Ao longo do livro, o autor se desvia desse tema para alertar sobre o perigo de abandonar o caminho do Senhor. Em um desses “desvios”, ele cita alguns versos do Salmo 95:
“Por isso, como diz o Espírito Santo: ‘Hoje, se ouvirem a sua voz, não endureçam o coração como foi na rebelião, no dia da tentação no deserto, onde os pais de vocês me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras durante quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: “O coração deles sempre se afasta de mim; e eles não conheceram os meus caminhos.” Assim, jurei na minha ira: “Não entrarão no meu descanso.”’ Tenham cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração mau e descrente, que se afaste do Deus vivo” (Hebreus 3:7-12, citando Salmo 95:7-11). Partes dos mesmos versos aparecem na continuação do argumento em Hebreus 3:15; 4:3,7.
A parte do Salmo 95 citada apresenta uma mudança abrupta, um contraste para reforçar o ponto principal do salmista. O autor começa com um convite para adorar o Senhor: “Venham, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação. Saiamos ao seu encontro com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos” (Salmo 95:1-2).
O plano de fundo histórico empregado pelo salmista (e, depois, pelo autor de Hebreus) vem do tempo da peregrinação no deserto sob a liderança de Moisés. O povo foi impaciente, ingrato e rebelde e, por isso, condenado por Deus a passar 40 anos no deserto até a morte dos homens daquela geração.
Tanto no Salmo como em Hebreus, a conclusão é que um coração obstinado e ingrato não produz o louvor que Deus merece. A boca cheia de reclamações não oferece adoração.
É uma lição importante para nós. É comum reclamar sobre quase tudo: sobre calor e frio, sobre chuva e falta de chuva, sobre os preços dos produtos, sobre o trânsito, sobre a demora na fila no supermercado etc.
No estudo do povo de Israel naquele período, dois pecados são destacados acima dos outros: a idolatria e a murmuração. De fato, quando exaltamos o “eu”, focando em nossos próprios desejos e até necessidades, a tendência é mergulhar nas reclamações e ingratidão. O Salmo 95 frisa as murmurações como exemplo da rebeldia e obstinação que impediu a chegada deles à terra prometida para nos alertar do mesmo perigo.
Cuidado para não deixar a falta de gratidão nos afastar do Senhor!